Leticia Valverdes | Paula, Maori and Madiha, da série Marcas de Nascença – Birth Marks
Paula, Maori and Madiha

Leticia Valverdes

Série Marcas de Nascença - Birth Marks
Ubatuba, SP, 2013

"BIRTH MARKS - Marcas de Nascença"
Um registro de transformações e marcas da maternidade, no corpo e na alma.

Este projeto colaborativo iniciado em 2013 revela e explora a relação de mães e gestantes com seus corpos e com as mudanças emocionais trazidas pela maternidade. As fotos são feitas em colaborações com as participantes em sessões intensas e catárticas. As mães também contribuem com depoimentos em primeira pessoa sobre as marcas físicas e emocionais que afloram com a maternidade. O relato pode conter reflexões acerca da relação com o próprio corpo antes e depois do(s) filho(s), as lembranças do parto e do nascimento, a transformação visível e invisível vivida no corpo e na vida dessas mulheres.
O projeto pretende revelar nas fotos e nas vozes quais são as marcas deixadas pela chegada dos filhos, o que cada mulher enxerga de marcante no processo de mudança que atravessaram, como sentem e como vestem a pele de mãe para sempre.

Embora o projeto Birth Marks- Marcas de Nascença não trate especificamente de Violência Obstétrica, transborda à flor da pele o que as pesquisas brasileiras revelam: pelo menos uma em cada quatro mulheres relata ter sofrido algum tipo de violência verbal, emocional ou física no momento do parto no país. Sendo assim, aparecem também no projeto as marcas e as vozes de mulheres que sofreram esse tipo de violência.

Depoimento da Paula:

“Tenho marcas fortes de “nascença”, quer dizer, da maternidade. E são marcas tão fortes que eu não mostrava pra ninguém. Nem mesmo para o meu companheiro. Tenho um estilo de vida de praia pegando onda. Sempre andei muito exibida, livre pelo local onde moro. Mas depois do nascimento das meninas eu fiquei sem mostrar a barriga pra ninguém, só usava maiô inteiro.

Tinha muita vergonha, me sentia muito mal e tinha medo do preconceito. Mas quando eu fiquei sabendo do projeto, me entreguei para as fotos e para as conversas. “Limpou” muita coisa e trouxe muita reflexão sobre todas essas travas desnecessárias que a gente carrega internamente. Eu me liberei de muita coisa, tanto que agora eu uso biquíni e não tenho problema nenhum em mostrar minha barriga. Inclusive eu boto fé que depois de todo o processo de ser fotografada a barriga mudou. Se você vir a foto da barriga antes e vir agora poderá notar uma sensível diferença. Eu acredito muito nessa transformação do corpo e da realidade através dos desbloqueios de energia que a gente faz através dos pensamentos. Funcionou muito, mudou muita coisa…caiu muito a ficha dos acontecimentos do porquê de minhas cicatrizes, sobre a dor que estava carregando. Meu pai falecendo durante a gestação, e na época eu não sentia tanta dor, como se toda dor tivesse vindo para a barriga. Agora que estou entendendo tudo isso, tudo está mais leve, mais suave depois que eu pude dar a luz pra esse assunto. Eu acho que todas as pessoas deviam ter a oportunidade de aceitar as marcas e colocar luz, focar nelas até elas se dissolverem. Melhorar a relação que se tem com essas travas, essas cicatrizes, essas marcas que às vezes achamos feias mas são lindas. Elas são o que são e a gente tem que viver livre dessas crenças sobre o que é bonito e do que é feio, é isso.”

Sobre a autora

Leticia Valverdes
(São Paulo, SP, 1972)
Skip to content