Júlia Pontés | Ó Minas Gerais | Paisagens Transitórias #28
Ó Minas Gerais | Paisagens Transitórias #28

Júlia Pontés

Mina de Brucutu. São Gonçalo do Rio Abaixo / Barão de Cocais, MG, 2016

Ó Minas Gerais | paisagens Transitórias #28

Mina de Brucutu.

São Gonçalo do Rio Abaixo/Barão de Cocais, Minas Gerais. Extração de minério de ferro, mineradora Vale.
No censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), São Gonçalo do Rio Abai- xo tinha o 6o maior PIB per capita do Brasil, mas 37,8% da população vive com até 1/2 salário míni- mo e 32,8% dos domicílios não possui acesso ao saneamento básico necessário. Em Barão de Co- cais esses números são 36,3% e 15,3% respectivamente.

A Mina de Brucutu é a maior mina da Vale no estado de Minas Gerais. Desde fevereiro de 2019, a empresa tem, em intervalos, sido suspensa de lançar rejeitos úmidos em uma de suas barragens, de Laranjeiras, por intervenções do Ministério Público do Estado de Minas Gerais e da SEMAD (Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Minas Gerais).

As comunidades de São José do Brumadinho e Laranjeiras estão sofrendo o terror da evacuação for- çada de suas casas desde novembro de 2020. Técnicos, pesquisadores e moradores têm dúvidas sobre os reais riscos, já que desde o terror vivido em Mariana e Brumadinho, empresas mineradoras têm usado estratégias de terrorismo de barragens. Alegando risco de rompimento, retirar as populações adjacentes às minas são retiradas à força e dessa maneira essa área, antes ocupada, fica disponível para a expansão de operações a um menor custo.

Sobre a autora

Júlia Pontés
(Belo Horizonte, MG, 1983)

Júlia Pontés é artista, fotógrafa, pesquisadora e militante.

Desde 2015, se dedica à pesquisa, documentação e denúncia sobre a devastação humanitária e ambiental causada pela mineração. Seu trabalho foi reconhecido e premiado pela Planetary Alliance da Universidade de Harvard, instituição pela qual atual como embaixadora. Suas imagens foram publicadas pela Businessweek, Geo Magazine, Plurale, Portal G1, Folha, Jornal o Tempo, Estado de Minas, entre outros. Atualmente é bolsista da National Geographic Foundation, reali- zando um trabalho de documentação do impacto da pandemia em comunidades atingidas pela mineração em Minas Gerais, Brasil.

Júlia foi escolhida duas vezes para o Programa de Artistas Emergentes pela New York Foundation for the Arts. Ela se formou em fotografia no International Center of Photography (ICP) em 2015. É pós graduada em Direito e Economia pela Universidad Torcuato di Tella, com pesquisa foca na análise econômica da regulação mineral Brasileira. Atualmente é bolsista e mestranda em Artes Visuais na Columbia University, em Nova York.

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