Claudia Andujar – Candinha e Mariazinha Korihana thëri limpam mutum, cujas penas são usadas para emplumar flechas
Candinha e Mariazinha Korihana thëri limpam mutum, cujas penas são usadas para emplumar flechas

Claudia Andujar

Terra Indígena Yanomami, Catrimani, RO, 1974

A FLORESTA

Os brancos acham que a "natureza" é hão sem razão. Eles se enganam. A "natureza", algo morto, posto no c chamamos urihi, a terra-floresta — é o velho céu que caiu na terra no primeiro tempo. Sabemos que ela vive, que tem um sopro de vida muito comprido muito maior do que o nosso. Ela não morre nem apodrece , como os humanos. Com o sopro do espírito da terra maxitari, a floresta fica bonita; nela cai chuva e sempre venta. Ela respira, mesmo se vocês não percebem. O seu sopro se esconde no meio do chão lá onde está sua umidade e frescor. A floresta também é coberta de espelhos onde os espíritos xapiripé andam, brincam, se perseguem, dançam ou guerreiam. As montanhas são suas casas, por isso a floresta é como seu terreiro. Mas a terra que pisamos é suja para eles - se deslocam acima do chão, em espelhos mirekopê. Há espelhos dos espíritos macacos, antas, cobras, araras, tucanos, quatis, galos da serra... Eles são muito luminosos e enfeitados com desenhos traçados com urucum. Parecem peles de onças cobertas com plúmulas brancas reluzentes.
Davi Kopenawa Yanomami

Sobre a autora

Claudia Andujar
(Neuchâtel, Suíça, 1931)

Claudia Andujar nasceu em Neuchatel (Suíça), em 1931. Após a Segunda Guerra Mundial, imigrou para os EUA e, em 1955, imigrou para o Brasil. Desde então, a artista vive e trabalha em São Paulo. Durante a década de 70, Andujar recebeu bolsas da John Simon Guggenheim Foundation, e da Fundação de Apoio a Pesquisa (FAPESP), para fotografar e estudar a cultura Yanomami. De 1978 a 2000, Andujar trabalhou para a Comissão de Pró-Yanomami e coordenou a campanha para a demarcação do território Yanomami na Amazônia, criado em 1993. Em 2000, ela recebeu o Prêmio Anual de Liberdade Cultural [Fotografia] como defensora dos Direitos Humanos da Lannan Foundation, no Novo México (EUA). Em 2003, recebeu o Prêmio Severo Gomes da Comissão Teotônio Vilela de Direitos Humanos, São Paulo (Brasil), e em 2005, o prêmio de melhor Exposição de Fotografia da APCA [Associação Paulista dos Críticos de Arte], com Vulnerabilidade do Ser, realizada na Pinacoteca do Estado (São Paulo / Brasil). Em 2008, foi homenageada pelo Ministério da Cultura com Ordem do Mérito Cultural 2008. Em 2010, recebeu o Prêmio Kassel Photobook Award pelo livro Marcados (CosacNaify), em Kassel, e em 2018 a Goethe-Medaille 2018, em Weimar, ambos na Alemanha.
Seleção de exposições individuais: Eastman House (Rochester/USA), and Limelight Gallery (NY/USA), 1958. Genócídio Yanomami, morte no Brasil, Museu de Arte de São Paulo (MASP), São Paulo, 1989; Yanomami, Memorial da América Latina, São Paulo (Brasil), 1991; Yanomami: l’Esprit de la Forêt, Fondation Cartier, Paris (França), 2003; A Vulnerabilidade do Ser. Pinacoteca do Estado, São Paulo (Brasil), 2005; Marcados, Galeria Vermelho, São Paulo (Brasil), 2009; Marcados, Galeria Vicente do Rego Monteiro, Fundação Joaquim Nabuco, Recife (Brasil), 2013; Claudia Andujar: no lugar do outro, Instituto Moreira Salles (IMS), Rio de Janeiro (Brasil), 2015; Claudia Andujar: Tomorrow must not be yesterday. Museum für Moderne Kunst (MMK), Frankfurt (Alemanha), 2017; Claudia Andujar: A Luta Yanomami, Instituto Moreira Salles (IMS), São Paulo e Rio de Janeiro (Brasil), 2018 e 2019. Desde de 2015, a artista possui um pavilhão dedicado a sua obra sobre o Povo Yanomami no Instituto Inhotim, em Brumadinho.

Seleção de exposições coletivas: V Salão Paulista de Arte Moderna, Galeria Prestes Maia, São Paulo (Brasil), 1956; Museum of Modern Art. Photography Collection, Museum of Modern Art [MOMA] ,Nova York (EUA), 1960; UABC: Artistas de Uruguay, Argentina, Brasil y Chile, Stedelijk Museum Amsterdam, Amsterdam (Holanda), 1989; A New Installation of Photography from the Collection, Museum of Modern Art [MOMA], Nova York (EUA), 1983; 24ª Bienal de São Paulo: Na Sombra das Luzes, Pavilhão da Bienal, São Paulo, (Brasil), 1998; A Casa e Floresta – Yanomami ,Museu de Arte Moderna [MAM SP], São Paulo, (Brasil), 2002; Yanomami: L’esprit de la Forêt, Foundation Cartier, Paris (França), 2003; Povo da Lua, Povo do Sangue, IBECC/UNESCO, São Paulo (Brasil), 2005; 27ª Bienal de São Paulo. Como viver junto, Pavilhão da Bienal, São Paulo (Brasil), 2006; Pictures by Women. A History of Modern Photography, Museum of Modern Art [MOMA], Nova York (EUA), 2010; Untitled (12ª Bienal de Istambul), Istambul (Turquia), 2011; Amazonie. Le chamane et la pensée de la forêt, Musée d'ethnographie de Genève, Genebra (Suíça), 2016; AI-5 50 ANOS. Ainda não terminou de acabar, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (Brasil), 2018.

Claudia Andujar – Candinha e Mariazinha Korihana thëri limpam mutum, cujas penas são usadas para emplumar flechas
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