Ana Caroline de Lima | Maria, a boneca Kayapó
Maria, a boneca Kayapó

Ana Caroline de Lima

Chapada dos Veadeiros, GO, 2017

Maria, a boneca Kayapó

"- Você quer tirar uma foto da Maria? Ela é muito bonita!"

- Quero, chama ela aí pra eu ver.

Em 2017, estava documentando um evento indígena quando essa garota Kayapó, acompanhada da mãe, pediu algumas fotos.
Ao perguntar se eu queria fotografar a Maria, imaginei que seria uma outra menina, mas minutos depois, ela trouxe Maria, uma bonequinha com o corpo cheio de pinturas Kayapó.
A mãe da garota explicou que os desenhos foram feitos como 'treinamento" para pinturas feitas em pessoas. ⠀

- "Ela parece comigo, não parece? Também não tem 'pelos em cima do olho'!" - pergunta Panahará, mostrando a bonequinha branca de olhos azuis que, tal como ela, não tem sobrancelhas.

Sobre a autora

Ana Caroline de Lima
(Santo André, SP, 1986)

Ana Caroline de Lima é fotógrafa, jornalista, especialista em antropologia e National Geographic Explorer nascida no ABC paulista.

Quando criança, Ana queria ser paleontóloga. Na época, internet não era uma realidade nas casas brasileiras, mas o pai, então metalúrgico, comprava livros em sebos para a filha desde que ela aprendeu a ler, aos dois anos e meio de idade. Em um desses livros, Ana leu que 'paleontólogos brasileiros precisavam viajar para estados ao norte do país' e por isso, aos quatro anos de idade, ela chamou os pais para comunicar que não poderia ser paleontóloga. Ao perguntarem o porquê, Ana respondeu: "Li que eu teria que ir pro Norte. Imagina! Pegar avião! A gente não tem dinheiro pra isso! Vou pensar em outra coisa". Anos depois, aos 11, começou a estudar inglês por conta própria com livros reciclados pelo pai "por sentir que iria precisar no futuro".O gosto pela leitura e escrita a levou a buscar uma bolsa para cursar jornalismo (Universidade Metodista de São Paulo, 2010), onde nos últimos anos de curso descobriu a fotografia.

Pós-graduada em antropologia (USC, 2014), busca documentar questões sociais, culturais e ambientais através de uma perspectiva intimista. Ana acredita que fotografia e jornalismo são sobre pessoas e para pessoas, sendo ela um conduíte para transmitir vivências e opiniões daqueles que compartilharam com ela um pouco de suas vidas.

Seus trabalhos feitos no Sudeste Asiático, América Latina e Brasil já foram premiados nacionalmente e internacionalmente e expostos em mais de 20 países, em lugares como Palácio de Maldonado, Getty Gallery e OxO Tower.

Em 2021, tornou-se uma National Geographic Explorer para documentar a relação dos povos do Cerrado - de onde vem sua família materna - com o meio ambiente.

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